
Ontem fui ver Os Substitutos ao cinema e acabei por ficar a desejar ter um para mim.
Viver a vida num robot.
Como seria viver sem sentir nada? Sem nos queimarmos enquanto cozinhamos, sem cortarmos os dedos ao folhear um livro ou sem caírmos nas aulas de ginástica e ficarmos com um joelho lixado para o resto da vida.
Melhor ainda seria a parte de não termos sentimentos. Era uma maravilha de vida.
Não existiria o calor humano, apenas a frieza robótica onde não teríamos de nos preocupar com ninguém, porque afinal toda a gente "seria" um robot.
Não teríamos que ficar magoados com o facto da nossa melhor amiga nos ter esfaqueado pelas costas, porque não haveria a amizade.
Não teríamos que chorar no duche ao fim do dia por não sermos correspondidos pela pessoa que amamos, porque não haveria o amor.
Não teríamos que recear sofrer uma branca a meio de um exame, pois a nossa memória seria programada para tal nunca acontecer.
E nunca seria duro chegar ao fim do dia, pois simplesmente desligávamos o nosso substituto, virámos o rabo para o outro lado na cama e dormíamos até o amanhecer para recomeçar de novo.
Actum est!

